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Archive for julho \15\UTC 2007

O último Vermelho

15 de julho de 2007 Deixe um comentário

A tentativa de assassinato do Presidente da República por uma jovem estudante de História chocou o país. As manchetes dos principais jornais destacavam a explicação da moça sobre seus motivos: A Bolha de Bão Baulo dizia: QUE MUNDO ENTENDE? Já o O Blobo era mais agressivo: DE QUE MUNDO VEIO ESSA AMEAÇA A SEGURANÇA DO PAÍS? O Bornal da Barde dizia: PARA ONDE VAI O MUNDO? Até o gigante norte americano Bew Bork Bimes, na seção Ass of the World deu atenção à notícia.

Tudo isso por que a jovem tentou “matar” o presidente num dos clássicos, mas cada vez mais raros comícios do líder da nação. Dessa vez seria para anunciar o novo programa do Governo Federal, o apelidado Bolsa Desgraça, o polêmico programa que dava bônus para as famílias que sofriam alguma grande perda causada por fatores como a miséria. Por cada “tragédia” as famílias ganham “pontos” no cartão magnético. Morte de idoso vale 5 pontos, adulto por doença, excesso de trabalho (ou a falta de), ou cirrose varia de 10 a 25 pontos, já crianças acima de três anos (crianças acima de onze anos são consideradas adultas e aptas ao trabalho) em qualquer circunstância valem 30 pontos, e finalmente crianças de até três anos falecidas por desnutrição valem 200 pontos. Os pontos podem ser trocados por roupas, mantimentos e em alguns postos por água, a cotação do Dólar é levada em conta para calcular o valor dos pontos, que normalmente gira em torno de R$ 0,03 cada ponto.

O ataque se deu quando o presidente desceu para junto do povo e pegou uma criança no colo dizendo: “Esse menininha linda vale 200 pontos!” A estudante, que estava armada com uma faca de rocambole, tentou acertar a jugular do Presidente, mas não obteve êxito, como relatam os presentes o atacado conseguiu se desvencilhar na hora exata, perdendo apenas o outro dedo mindinho. A menina caiu no chão, sua mãe começou a gritar e a puxar o terno de corte italiano do Presidente: “Quero meus 200 pontos, mataram a minha filha!!”, gritava ela, o presidente Buba tentando se soltar deu dois socos na boca da mulher, resmungando: “Sua filha nem se arranhou sua pobre”, uma dentada surpresa arrancou seu anular, agora lhe faltam três dedos.

Após ser detida a jovem tentou se explicar, quando foi questionada sobre seus motivos apenas respondeu: “O que me consola é que o Mundo vai me entender”, e não disse mais nada. Essa declaração causou furor no imprensa, porque de certa forma ninguém entendia os motivos dela, afinal o presidente estava fazendo um ótimo trabalho, o número de flagelados da seca vinha diminuindo drasticamente, as famílias pobres estavam ganhando o suficiente para se sustentar com o novo programa, o sistema de pontos funcionava bem…

***

− Boa noite! − Disse o engomadinho da TV.

− Boa noite o caralho − Respondeu o barbudo sentando numa poltrona velha, sua tatuagem do Che estava enrugada, ao fundo se destacava o volume do Manifesto do Partido Comunista de Marx, que virou pé de geladeira.

Raimundo desligou a TV, e suspirando disse:

− Eu te entendo Marta.

Coçando a bunda lembrou que amanhã tinha que dar aula pra nova turma, desconfiou que dessa vez ia mudar o discurso…

Trabalho duro!

15 de julho de 2007 Deixe um comentário

“ − Senhores passageiros, não me desculpem por estar interrompendo a viagem de vocês, passei jogando na cara de alguns esta deliciosa barra de chocolate recheada com paçoca, como podem ver a data de validade está vencida, o cheiro é horrível assim mesmo, vai ficar nas suas roupas pra sempre, a empresa que fabrica é de origem duvidosa… Estou vendendo estes produtos porque tenho que sustentar o meu vicio e o do meu irmão, meus filhos vão passar fome mesmo, não tem problema, já acostumaram. E FAlo COM essa voz iRRItanTE pra CHAmar a aTENção MESmo, então parem de fingir que não existo e colaborem comigo. Uma barra é R$ 100,00, duas é R$300,00. Lembrem-se, eu podia estar matando, roubando, estrupando, mas não, to aqui porque sou um cuzão e tenho medo de tomar tiro. Enfim, quem puder estar me ajudando eu quero que se foda, e quem não puder que se foda da mesma forma.”

Meia noite na minha rua

15 de julho de 2007 Deixe um comentário

Hoje vi três vacas na minha rua. É sério, não ria. Não sei de onde vinham e nem pra onde iam, e não importa, só sei que vi. O chato é que uma me encarou, outra me xingou de filho da puta, tenho certeza, sei ler lábios, mesmo de vacas. Pensei na hora em ofendê-la de todas as formas cabiveis, falar sobre seu pai e seus chifres, dizer que sua mãe era uma vaca, ou então partir pro pessoal e falar da aparência dela, dizer que tinha manchas na pele, que tava com os peitos caidos, essas coisas… mas achei melhor vir pra casa escrever esse post absurdo.

Agora só falta saber se foi o sono, o pagode no carro do meu amigo, a professora de inglês, a coxinha com catupiry, a aula de literatura brasileira ou falta de noção total que me transformaram no Dr. Doolittle.

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Chuva de Outono

15 de julho de 2007 Deixe um comentário

Meu celular toca. Atendo. Ninguém fala, desligo. Toca de novo. O aparelho do homem ao lado também toca. O da mulher ruiva também. Ao mesmo tempo todos tocam. Outro e outro. Vários toques no ar. Ficando alto. Mais alto. Ensurdecedor. O que está acontecendo? Um aparelho se espatifa no chão, na minha frente. Quem jogou? O quê? Mais um, outro, vários celulares começam a cair com uma velocidade espantosa e espatifam-se no chão. Um acerta meu ombro, dói muito. Corro para um lugar seguro, a marquise de um prédio. Peças por toda parte. Olho para o céu. Não sei de onde estão vindo. Vários, de formatos, tamanhos e cores diferentes. Todos tocando, alto, muito alto. Toques de todos os lados. Minha cabeça vai explodir. Um líquido viscoso corre pelo meu pescoço, é sangue. Meus ouvidos estão sangrando. De repente silêncio. Não ouço mais nada.

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Chuva de Inverno

15 de julho de 2007 Deixe um comentário

− Ei, Pereira olha aquele ali, parece suspeito, anda desconfiado, olhando para todos os lados. Vamos checar?

− Ai tem. Vamos lá, mas dessa vez eu enquadro.

− Certo.

− Você ai, é você mesmo, aqui é a policia, levanta as mãos devagar.

− Mas eu na fiz nada.

− Cala a boca. Encosta na parede, abre as pernas, rápido, acha que estou brincando? Não corre! Tobias corre atrás dele. Desgraçado.

− Parado ai seu viado, se eu te pegar…

∙∙∙

− Que merda Tobias mais um? É o quarto essa semana, e hoje ainda é terça.

− Mas não fui eu que atirei, ele estava fugindo e eu estava atrás, de repente ouvi barulho de tiro e o desgraçado caiu duro no chão. Foi bem na nuca.

− Se não foi você quem foi então?

− Não sei.

− Ouviu? Mais tiros, vai chamar reforço! De onde estão atirando?

− Olha um 38 no chão.

− De onde veio?

− Caiu do céu.

− O quê?

− Do céu! Mais um, e outro, olha tá caindo arma pra todo lado. Todo tipo de arma, olha lá, rifle, espingarda.

− Que merda é essa?

− Tá chovendo arma. E não é só aqui, olha, tá caindo em todo lugar.

− Bala também.

− O quê? É muito barulho, não ouvi.

− Bala também. Olha só a minha perna. Levei um tiro do céu.

− Corre.

− …

− Levanta, vai levanta. Mas o que…?

− Meu peito, tomei um tiro no peito… não consi… respi…

− Por quê você está rindo?

− Deus cansou, tá dando tiro… em todo mundo.

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Chuva de Verão

15 de julho de 2007 Deixe um comentário

       Um barulho estranho no ar. As pessoas se assustam. Não sabem o que está acontecendo. De repente um objeto acerta a cabeça de um homem, derrubando-o. Logo outros começam a cair. Parecem livros. Causam grandes estragos. As pessoas correm desesperadas. Carros batem. Caos total. Feridos caídos no chão. Um estrondo contínuo no ar. Alguns mortos. São livros grandes e grossos, todos iguais. São Bíblias! “Está chovendo Bíblia”, um grita, uma acerta sua nuca, calando-o. Outro grita: “É a vingança de Deus!”, estava debaixo de uma cobertura de metal que desmoronou com o peso das bíblias. Um louco cínico que viu tudo grita: “Morreu pelo peso da Palavra”, e ri, chora, começa a cantar hinos de louvor, sai de baixo da marquise de concreto em que estava e começa a recolher alguns volumes, logo está coberto, esmagado. A chuva continua, o volume de bíblias vai crescendo, cobrindo tudo. Todos sumiram, foram esmagados. Não vai parar de chover até que tudo esteja coberto. Tudo.  

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Cotidiano

15 de julho de 2007 Deixe um comentário

Fato 1:
Já passou da meia noite, tenho que dormir porque amanhã volto pra correria.

Fato 2:
Tô com preguiça.

Fato 3:
Fiz um talho no queixo quando fazia a barba.

Fato 4:
Doeu.

Fato 5:
Agora vi.

Fato 6:
Foram dois talhos.

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